S. Francisco ou Casanova?

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Provavelmente nem excessos hedónicos, de prazer desenfreado, de comezainas de enfartar brutos, de noitadas até cair de lado, nem, por outro lado, sacrifícios desgastantes que nos fazem pagar uma fatura elevada com o passar dos anos.

Francisco de Assis tinha uma péssima opinião acerca do seu corpo. Este seria um mero invólucro para a alma. E um invólucro muito pernicioso, pois com os seus impulsos e desejos acabava por conduzir a dita alma aos caminhos do pecado e da perdição.

Uma visão completamente diferente teria provavelmente Giacomo Casanova, um aventureiro libertino que tinha fama de seduzir as mulheres e entregar-se profusamente aos prazeres do sexo desenfreado.

Ambos eram italianos, mas viveram em tempos muito diferentes. Giovanni di Pietro, mais conhecido por S. Francisco de Assis, nasceu em 1182, tendo sido canonizado pelo papa Gregório IX em 1228, apenas dois após a sua morte. Casanova, pelo contrário nasceu em 1725. Tendo sido preparado para uma carreira eclesiástica, cedo enveredou por outros caminhos. Foi preso, fugiu da prisão, viajou pela Europa, escreveu diversas obras, entre as quais as suas memórias.

Giovanni di Pietro, ficou às portas da morte, por negligenciar os cuidados mínimos ao seu corpo e foi salvo por amigos que o levaram à enfermaria de um mosteiro, onde recuperou a saúde, vivendo até aos 44 anos. Casanova, pelo contrário, entregava o seu corpo aos prazeres máximos da sedução em movimento perpétuo, teve mil aventura e viveu até aos 73 anos.

Sem defendermos a vida libertina de Giacomo, nem o ascetismo de Giovani di Pietro, perguntamos onde ficamos em termos de opções? Na verdade, atualmente, no nosso âmago, somos marcados por estas duas visões: por um lado achamos que o nosso corpo tudo deve suportar, nomeadamente as agruras dos trabalhos constantes, noites mal dormidas e a imposição de levantar cedo para trabalhar. Ou então, no fim-de-semana, borgas, altas noitadas, bons petiscos e sexo, se possível.

A referência a estes dois nomes, presentes no nosso imaginário, vem a propósito do dilema com o qual qualquer cidadão europeu e ocidental se confronta. Como cuidar do seu corpo e da sua saúde ao longo do quotidiano, nestes tempos repletos de informações confusas e contraditórias? A tradição já não é o que era, nem parece satisfazer quaisquer jovens que queiram pensar durante dois minutos sobre a sua saúde.

Imagine-se um jovem casal. Podemos chama-los Rita e João.

Imagine-se que estão grávidos. Uma nova vida surgiu no ventre. Que opções em matéria de cuidados de saúde devem seguir? O caminho do sacrifício e do trabalho, penalizando o corpo e os cuidados básicos de saúde, à imagem de muitos santos medievais? Ou a entrega aos prazeres do fast-food, dos salgadinhos, das bolachinhas ou dos gelados?

Há curiosamente um exercício mental que nos poderá conduzir a uma clareira de esclarecimento. Basta perguntarmos o seguinte: o Homo sapiens, surgido no planeta Terra há 100 mil anos, que características apresenta para conseguir sobreviver como espécie e proliferar por todo o planeta?

– E isso… o que nos interessa a nós – perguntará a Rita olhando o João e acariciando o ventre já proeminente de seis meses de gravidez.

Minha cara Rita, meu caro João: esta é a pergunta, cuja resposta vale 1 milhão de euros!

Se percebermos que o Homo sapiens tem um conjunto de características, digamos metabólicas, que surgiram há 100 000 anos e das quais não se libertou, já que a genética leva sempre milhares de anos a evoluir, temos uma pista preciosa para darmos ao nosso corpo os cuidados que ele, no fundo, necessita.

Provavelmente nem excessos hedónicos, de prazer desenfreado, de comezainas de enfartar brutos, de noitadas até cair de lado, nem, por outro lado, sacrifícios desgastantes que nos fazem pagar uma fatura elevada com o passar dos anos.

Mas a questão continua: então onde está o mapa do tesouro para encontrar o meio-caminho?

Haja paciência e tudo se descobre…

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Que rumo dar à vida?

2018_02Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

A notícias era já esperada: a Rita estava grávida. Ou, se quisermos: estavam grávidos, a Rita e o João. Só esta formulação é um avanço civilizacional, pois propõe que se assuma verbalmente, e depois na prática do dia a dia, a ideia que uma nova vida é da responsabilidade dos dois: do casal.

– A minha avó diz que o queimado faz bem ao sangue, mas o médico acha que faz cancro… – diz a Rita – Já não sei o que devo fazer…

Ninguém advoga ingerir comida queimada, mas num prato que vai ao forno, do crocante ao “queimado” vai um pequeno passo de distração. O que a frase, dita em tom anedótico, pode denotar é o inevitável confronto entre os ditos de uma tradição, vinda dos avós e as ideias atuais defendidas pelos técnicos de saúde.

O triângulo surge agora enriquecido com as “coisas” que vêm na internet, cujo fundamento tem a marca da suspeita, do mistério, do exótico ou do “natural”.

Em meados do século passado, a avó recomendava um cházinho, mas o médico prescrevia um comprimido e, se fosse grave, uma injeção. A modernidade chegava assim, por via das receitas médicas, envoltas em mistério, qual código-davinci, só decifradas pelo olhar perscrutador do farmacêutico.

Entretanto, muitas futuras avós se aliaram aos diligentes médicos que dispõem hoje de uma parafernália farmacêutica que faz verdadeiros milagres. Mas muitas jovens mães não vão na cantiga.

As preocupações ecológicas refletem-se também na forma como se olha a saúde. Procura-se uma alimentação e mesmo abordagens terapêutica menos baseadas nos milagres da indústria farmacêutica e mais atentas a um certo conceito de natural, mais perto de uma verdadeira essência do ser humano, sem recorrer aos produtos da tecnologia do processamento alimentar ou das moléculas concebidas em laboratório.

Curiosamente, estes jovens, mães e pais, têm alguns aliados inesperados. No resguardo dos consultórios e nas esquinas dos hospitais há profissionais de saúde (com médicos incluídos) a olhar desconfiados para os excessos da indústria química.

Quem impera é o famoso Dr. Google com as suas propostas inesperadas. Há de tudo na net e para todos os gostos, mesmo para os gostos duvidosos.

Ao jovem casal fica a dúvida: que caminho seguir? Do ácido fólico obrigatório na gravidez? Ou o dos superalimentos onde impera a Quinoa e a Espirulina? Recorrer à Naturopatia ou à Medicina Chinesa? E que tal a Homeopatia?

No fundo qual o caminho a seguir?

Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

Um dos mapas disponível é partirmos do princípio que, em primeiro lugar somos… seres humanos. Em 1758,  Carl Linnaeus decidiu chamar-nos de Homo sapiens e assim ficamos identificados e distinguidos de outros animais.

A seguir, na Europa e no ocidente, gostamos de dividir o ser humano em dois planos: o físico ou biológico e o psíquico e o mental. Faça-se a vontade sem discutir e comecemos por olhar para o físico, que é como quem diz para o corpo, constituído de braços e pernas, cabeça e tronco, mas também por órgãos, e muita bioquímica à mistura. E depois? A pergunta que se segue será o que pretendemos deste corpo? Quais as suas capacidades e características?

2017, um ano bom?

Quando nos lembramos das vítimas dos incêndios que assolaram o interior do país, do sofrimento de quem ficou sem os seus haveres, das empresas e dos agricultores privados do seu ganha pão, a euforia do ano BOM acaba por amainar.

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Quem anda pelo país poderá encontrar um otimismo no ar.

Lisboa está fabulosa, cheia de gente que vem de toda a Europa saborear este nosso Sol que irradia do céu e o calor que emane desta gente que aqui vive. O Porto é cidade obrigatória, o Algarve é o que é. Mas há também o Minho ou o Alentejo e os Açores estão a abarrotar, sem falar da Madeira que é o que já se sabe.

Uma amiga nossa de 30 anos, que estuda e trabalha há uma década em Londres, pensa voltar para Portugal no próximo ano.

Estivemos em Novembro em Ponte da Barca num parque de campismo à beira do rio Lima. É uma cidade calma com cerca de 2 000 habitantes. Ruas e jardins bem arranjados, algum comércio, boas hipóteses de escolha de restaurantes. Um contraste saboroso entre uma pizzaria a abarrotar de adolescentes, e um restaurante de cozinha mais tradicional, pesada, saborosa, com idosos reformados a pontuar o café logo à entrada. Em Ponte de Lima, mesmo ali ao pé, as ruas estão igualmente bonitas, a apetecer sentar nas esplanadas e provar a doçaria local. Tudo se conjuga para garantir que Portugal está bem, respirando-se esperança no futuro. Os deficits estão controlados, ganhamos o Festival da Eurovisão com uma cantiga decente, Guterres está na ONU, Centeno no Eurogrupo e Costa é das mais influentes personalidades da Europa.

Assim 2017 parece ser um ano BOM, como já não víamos há muito tempo. A crise trouxe destas coisas: agora estamos sempre à espreita a ver se a coisa melhora, se os tempos bons já chegaram.

Não tenho andado nos transportes público, nem de táxi para tomar o pulso ao que se diz por aí. Também não tenho ido ao médico, onde nos consultórios se desfia habitual rosário de lamentações. Fui ao barbeiro, mas só se falou de redes sociais e do novo coração de Salvador Sobral.

Adoro quando alguém diz que antigamente é que era bom, sobretudo se tenho estatísticas à mão para esparramar na cara do infeliz, provando por A mais B, os tempos de miséria e injustiça que marcaram as décadas de 50 ou 60 do século passado neste Portugal. Ou as fotografias a preto e branco deste país nos anos 70. Ou as cores pirosas dos anos 80.

Ora a questão é a seguinte: se houve anos bons no passado, nós demos por isso enquanto os vivíamos? Penso que não.

E os tempos atuais são bons? Será que daqui a 10 anos alguém vai dizer: antigamente é que era bom, referindo aos dias de hoje?

Concluindo, 2017 foi um ano BOM ou isso é mera ilusão?

Ponte de Lima é linda, mas um olhar mais atento fará adivinhar, no entanto, alguma pobreza nos arredores, através dos rostos tristes de quem trabalha muito e pouco ganha. Um país estratificado mostra aqui também as suas marcas.

E ao atravessarmos a ponte de Ponte de Lima, a 2 de novembro, dia em que se homenageiam os mortos, deparamos com um funeral. Havia à volta carros de bombeiros. Em silêncio, deduzimos tratar-se de alguém, que no combate aos incêndios terá dado a vida, partindo e deixando família, sobretudo filhos pequenos, esposa, pai e mãe amargurados. Todos à volta, companheiros de combate, autoridades prestavam a última homenagem.

Foi 2017 um ano BOM?

Quando nos lembramos das vítimas dos incêndios que assolaram o interior do país, do sofrimento de quem ficou sem os seus haveres, das empresas e dos agricultores privados do seu ganha pão, a euforia do ano BOM acaba por amainar.

Recordamos que, no fundo, uma comunidade de seres humanos é este puzzle de abastança e de pobreza, de alegria e tristeza. Cada tempo é tempo de gente que encontrou forças para viver o seu dia a dia e de outros tantos, que frágeis, pelas mais diversas razões ainda não conseguiram sair de um ciclo de desânimo. E há as catástrofes, umas mais previsíveis do que outras.

Apetece apelar ao princípio dos vasos comunicantes, e desejar para 2018, não o cliché das PROSPERIDADES, mas antes agarrar na esperança e euforia que por aí anda e canaliza-la, não sei bem para onde. Talvez para prevenir e organizar a floresta, para abrir os olhos para a pobreza que ainda existe. Não para resolver todos os problemas do mundo e do país, mas para tornar os próximos tempos mais justos, mais equilibrados, seja lá o que isto for.

Ortodoxia e Alternativas

OrtodoxiaA ortodoxia está associada àquela que é a opinião dominante ou maioritária. O estudo etimológico da palavra leva-nos até à sua origem grega, ORTHODOXO, que significa exatamente opinião certa, doutrina declarada verdadeira.

Nos mais diversos sectores das sociedades humanas, as visões ortodoxas surgem no seio de instituições que ao longo do tempo vão apurado a sua forma de pensar. Na Europa, e depois por todo o planeta, há uma visão ortodoxa dos mais diversos aspetos da saúde e da medicina.

No final do século passado, séc. XX, surgiram visões sobre a saúde que diferiam profundamente da ortodoxia. Estas visões surgiram sob a forma de movimentos, uns mais, outros menos organizados e que propunham uma visão dita “alternativa”.

As “Alternativas” propunham estilos de vida diferentes, quadros dietéticos sem os excessos de comida processada, rica em sal ou em açúcar, chegando mesmo ao vegetarianismo, ao veganismo ou ao crudísmo, que preconiza a ingestão de alimentos não cozinhados. O domínio das “Alternativas” é vasto e carece neste momento de um estudo sociológico profundo. Ao contrário de muitas vozes não é um fenómeno exótico ou passageiro, nem nenhum retrocesso civilizacional. Se lançarmos um olhar à História da Humanidade, nada acontece por acaso nem por capricho.

No seio das “Alternativas” surgiram inevitavelmente prática terapêuticas que foram designadas de “Medicinas Alternativas”, como algo novo. Na verdade englobavam práticas muitos antigas, vindas já do séc. XIX ou antes. Referimo-nos à Naturopatia, à Homeopatia ou à Osteopatia.

Na verdade os fenómenos que fazem surgir alternativas à medicina ortodoxa, não surgiram pela primeira vez nos anos 70 do séc. XX. James Whorton, um historiador americano, que se tem dedicado à História da Medicina, identifica mais duas vagas de contestação à ortodoxia médica: uma em finais do séc. XVIII, com destaque para a Homeopatia e outra vaga em inícios do séc. XX.

Porque razão há estes surtos de Não-Ortodoxia? Pela simples razão que há momentos que a medicina ortodoxa, não consegue dar resposta às exigências do momento.

Se recuarmos mais atrás na História da Ciência e da Medicina, vamos encontrar, recorrentemente ideia novas, que provocaram reações indignadas da ortodoxia. Um exemplo muito curioso, foi quando William Harvey propôs que o volume do sangue no corpo humano seria limitado. E apresentou cálculos que o provavam. Foi caluniado e a ortodoxia perguntou-lhe se ele era médico ou matemático. A polémica era tanto maior, quanto a nova visão de Harvey, punha em causa a prática do sangramento, muito utilizada na altura.

Muitos dos avanços da medicina foram inicialmente considerados modas exóticas, heresias, com a exclusão e a punição dos seus autores.

A abordagem e o estudo de visões não ortodoxas ao longo da História acabaram por ser integradas na ortodoxia, pois houve instituições que estudaram e analisaram as novas propostas.

As propostas que ganharam visibilidade nos anos 70 do século passado, foram sendo analisadas sobretudo no âmbito de uma organização insuspeita: a Organização Mundial de Saúde. O termo Medicinas Alternativa provavelmente já nem faz sentido, pois nas últimas décadas há uma evolução que calma e serenamente tem vindo a integrar áreas como a Acupunctura ou a Naturopatia. Assim, quem estiver atento, perceberá que esta e muitas outras prática não são alternativas, no sentido disjuntivo da palavra. Uma não exclui obrigatoriamente qualquer outra. Não é por acaso que o vocabulário evolui para Medicinas Complementares, como a designação em inglês aponta: CAM – Complementary and Alternative Medicine.

Em Portugal a legislação escolheu o termo “Terapêuticas Não Complementares”. O porquê desta escolha, poderia ser alvo de um estudo sociológico, e quiçá, psicanalítico.

Editorial

Ouvir o vento é a garantia de entender o Mundo, ponto de partida, calmamente perceber as mudanças à sua volta para, assim, curtir a vida e dar uma ajudinha ao próximo.

É bom sentir o O ciclo do ano, e recordar que o ciclo se completa, e nós vamos permanecendo em dependência com as estações do ano.

Fazemos parte de uma comunidade, e a cidadania é o exercício do respirar constante da partilha.

Nesta interdependência da Natureza, é de bom senso olhar as medicinas naturais como uma forma de potenciar o que há em nós.

Mas é constante a luta para dar a conhecer e permitir a afirmação das Terapêuticas Não Convencionais.

E por a vida, com o seu constante mistério.

Impasse entre os profissionais de TNC

Profissionais das Terapêuticas Não Convencionais impedidos de obter cédulas profissionais devido a lacuna na lei, manifestam-se a 4 de Abril.

Serão milhares de profissionais com formação de 4 a 5 anos, cuja situação profissional se encontra num impasse: não podem obter célula profissional, tal como exige a legislação em vigor.

A história inicia-se em 2003. Depois de muitos anos de luta por parte dos profissionais das então chamadas Medicinas Alternativas (há quem fale em mais de 20 anos de luta) é publicada a Leiº 45/2003. Define um quadro legislativo para os profissionais desta área. Restava apenas a devida regulamentação.

Mas foram necessário 10 anos até que alguma coisa acontecesse. Finalmente, depois de muitas outras lutas, finalmente saiu uma nova lei: a Lei º71/2013. Definia 7 terapêuticas não convencionais, as TNC. Seriam elas a Acupunctura, a Fitoterapia, a Homeopatia, a Naturopatia, a Osteopatia, a Quiropráxia e a Medicina Chinesa.UMN_Crono Legislação

O feito foi conseguido, pois na Administração Central do Serviço de Saúde (ACSS) estava uma equipa decidida a levar até ao fim a tarefa de regulamentar as agora chamadas TNC. O ministro da saúde na altura, Paulo Macedo, deu teve a iniciativa e a tarefa avançou. Foi um trabalho hercúleo, com dezenas de reuniões entre várias entidades e vencendo tremendas resistências de vários sectores.

Em 2014 saíam as primeira 4 portarias regulamentando a Lei nº 71/2013: como avaliar os profissionais em exercício, como atribuir células profissionais, como devem ser as instalações para exercício das TNC e qual o seguro de responsabilidade profissional. Passados 8 meses, já em 2015, foram publicadas as portarias que definiam a formação em 5 destas áreas.

Em inícios de 2016, os profissionais com vários anos de exercício poderiam solicitar a sua cédula profissional. Passado quase um ano, começaram a receber as suas cédulas, regularizando a sua situação, e sobretudo dando garantias de credibilidade aos seus utentes e pacientes.

E quem terminou a sua formação depois de 2013, nas várias instituições existentes em Portugal? Como poderiam obter a cédula profissional? A legislação era omissa em relação a estes novos profissionais.

Se as instituições existentes regulamentassem os seus cursos, só lá para 2020 é que sairiam novos profissionais, formados com os novos planos de estudo. E todos aqueles que se formaram depois de 2013 e aqueles que continuam a sair das escolas desta área?

Captura de ecrã 2017-04-03, às 17.24.17É, pois, esta luta que está a decorrer e que a 4 de Abril leva os profissionais das TNC a manifestarem-se junto à Assembleia da República.

Serão alguns milhares que se encontram nesta situação, que investiram muito do seu esforço, humano e financeiro, numa formação longa, de 4 a 5 anos de duração e que se vêm impedidos de regularizar a sua situação. Estão expostos a situações de arbitrariedade por parte de algumas instituições estatais, que ameaçam aplicar coimas por este profissionais exercerem “sem cédula profissional”. E se forem a tribunal, não sabemos qual o desfecho que sairá de um julgamento, depois de serem pagas elevadas coimas.

E os utentes? Os portugueses, que cada vez mais recorrem às TNC, ficam sem a garantia de estarem a recorrer a um profissional credenciado.

Eduardo Rui Alves

Formado em Medicina Chinesa

(impedido de obter cédula profissional por lacuna da lei)

3 de abril de 2017

Outubro

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Era o oitavo mês do calendário gregoriano, dai o seu nome: oito, octo… octobre, outubro.

Olha-se para os casacos de forma diferente, apesar das temperaturas agradavelmente elevadas dos últimos dias. Há quem diga que ao longo do mês as temperaturas máximas vão-se manter acima dos 20º C, com o dia da República a chegar de novo aos 30º. É a meteorologia feliz com o retorno dos feriados. Mas à noite virá um frio suave por volta dos 13º, suficiente para muitos resfriados, com nariz obstruído e tosse para os mais frágeis, sobretudo aqueles que teimam em andar de “corpinho bem feito”, roupa leve e calçado demasiado fresco.

Na verdade, esquecemo-nos que continuamos expostos ao vento, ao frio e à humidade. Basta um maior cansaço, uma maior fragilidade para o nosso corpo reagir negativamente a este fatores.

As castanhas estão já a chegar e são um alimento poderoso nesta época. É um fruto denso, rico em hidratos de carbono e como tal um alimento bastante tonificador, sobretudo para os mais frágeis. Mas atenção, a castanha pode ser de difícil digestão para muitos estômagos e dar origem a trovoadas de meteorismo (vulgo gases…).

O segredo para aproveitar o potencial da castanha é utiliza-las regularmente, mas em pequenas quantidades de cada vez. Na sopa é sempre uma boa ideia.

O frio suave que aí vem é um convite ao cachecol e a uma blusa mais aconchegante. À noite, na sala com a família, surge um cobertor leve, pretexto para mais um abraço apertado. Ou então um passeio à noitinha, à beira rio ou à beira mar. É aproveitar porque estes tempo de transição são sempre deliciosos.