Que rumo dar à vida?

2018_02Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

A notícias era já esperada: a Rita estava grávida. Ou, se quisermos: estavam grávidos, a Rita e o João. Só esta formulação é um avanço civilizacional, pois propõe que se assuma verbalmente, e depois na prática do dia a dia, a ideia que uma nova vida é da responsabilidade dos dois: do casal.

– A minha avó diz que o queimado faz bem ao sangue, mas o médico acha que faz cancro… – diz a Rita – Já não sei o que devo fazer…

Ninguém advoga ingerir comida queimada, mas num prato que vai ao forno, do crocante ao “queimado” vai um pequeno passo de distração. O que a frase, dita em tom anedótico, pode denotar é o inevitável confronto entre os ditos de uma tradição, vinda dos avós e as ideias atuais defendidas pelos técnicos de saúde.

O triângulo surge agora enriquecido com as “coisas” que vêm na internet, cujo fundamento tem a marca da suspeita, do mistério, do exótico ou do “natural”.

Em meados do século passado, a avó recomendava um cházinho, mas o médico prescrevia um comprimido e, se fosse grave, uma injeção. A modernidade chegava assim, por via das receitas médicas, envoltas em mistério, qual código-davinci, só decifradas pelo olhar perscrutador do farmacêutico.

Entretanto, muitas futuras avós se aliaram aos diligentes médicos que dispõem hoje de uma parafernália farmacêutica que faz verdadeiros milagres. Mas muitas jovens mães não vão na cantiga.

As preocupações ecológicas refletem-se também na forma como se olha a saúde. Procura-se uma alimentação e mesmo abordagens terapêutica menos baseadas nos milagres da indústria farmacêutica e mais atentas a um certo conceito de natural, mais perto de uma verdadeira essência do ser humano, sem recorrer aos produtos da tecnologia do processamento alimentar ou das moléculas concebidas em laboratório.

Curiosamente, estes jovens, mães e pais, têm alguns aliados inesperados. No resguardo dos consultórios e nas esquinas dos hospitais há profissionais de saúde (com médicos incluídos) a olhar desconfiados para os excessos da indústria química.

Quem impera é o famoso Dr. Google com as suas propostas inesperadas. Há de tudo na net e para todos os gostos, mesmo para os gostos duvidosos.

Ao jovem casal fica a dúvida: que caminho seguir? Do ácido fólico obrigatório na gravidez? Ou o dos superalimentos onde impera a Quinoa e a Espirulina? Recorrer à Naturopatia ou à Medicina Chinesa? E que tal a Homeopatia?

No fundo qual o caminho a seguir?

Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

Um dos mapas disponível é partirmos do princípio que, em primeiro lugar somos… seres humanos. Em 1758,  Carl Linnaeus decidiu chamar-nos de Homo sapiens e assim ficamos identificados e distinguidos de outros animais.

A seguir, na Europa e no ocidente, gostamos de dividir o ser humano em dois planos: o físico ou biológico e o psíquico e o mental. Faça-se a vontade sem discutir e comecemos por olhar para o físico, que é como quem diz para o corpo, constituído de braços e pernas, cabeça e tronco, mas também por órgãos, e muita bioquímica à mistura. E depois? A pergunta que se segue será o que pretendemos deste corpo? Quais as suas capacidades e características?

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