A essência do bicho homem

2018_05

Mas a característica mais curiosa, para além da capacidade de antecipação e de articulação entre indivíduos é talvez a capacidade de nós próprios, nos emocionarmos com tudo isso.

– Antigamente era assim, agora é assado! – diz-se com muita frequência – São modas – acrescentamos, conformados com as constantes mudanças que ocorrem à nossa volta.

Antes, no tempo das trisavós, ouvia-se gramofone, depois foram os discos de vinil, a seguir vieram as cassetes, os walk-mens, os cd’s e por fim os MP3. Agora há música a metro no spotify.

Amanhã o que virá? Qual a próxima moda e quando surgirá?

Há quem resista às modas e vá buscar o gramofone ao sótão. Mas há quem esteja freneticamente a folhear as novas revistas à procura do último êxito musical. Novas revistas? Que horror, papel! A surfar no tablet(!), que a moda é agora esta.

Este movimento frenético leva-nos a procurar urgentemente algumas âncoras, mergulhando naquilo que é o essencial. Afinal o que queremos é ouvir música, então que interessa as modas se é apenas música que queremos. O gravador de cassetes já não funciona, os CD’s ainda aí estão, se quisermos descobrir novos sons o spotify é uma oportunidade.

Mas em relação à nossa dimensão humana  ou às questões específicas da saúde, onde está a âncora, onde se encontra o essencial?

Para encontrarmos o mapa do tesouro destas questões é preciso perguntar o que é um ser humano e que características essenciais são essas.

O estratagema passa por perguntar de que nos orgulhamos, quando pensamos na história da Humanidade?

Assim de repente, podemos pensar nas pirâmides do Egipto e na ida à Lua. Grande feitos que parecem superar a pequena dimensão de cada ser humano visto individualmente.

Se olharmos para a Operação Dínamo, em Maio e Junho de 1940, objeto de análise num filme que concorre aos Óscares deste ano de 2017, temos um pequeno exemplo, da forma como uns milhares de cidadãos comuns, em milhares de pequenas embarcações, conseguiram ajudar a evacuar 300 000 soldados encurralados nas praias de Dunkerque, após uma batalha falhada.

Estes três exemplos remetem-nos para três características dos seres humanos, do Homo sapiens, e estarão, provavelmente na base no sucesso da proliferação do bicho-homem ao longo do planeta Terra. São estas características, as seguintes: a tremenda capacidade de antecipação e a poderosa possibilidade dos seres humanos se articularem entre si e realizarem tarefas complexas.

Em primeiro lugar, construir monumentos como as pirâmides, com aquela dimensão e grandiosidade, bem com o rigor do seu posicionamento face aos astros, só é possível porque há um desejo e um sonho, seguido da capacidade de o concretizar ao longo de muito tempo. A ida à Lua, acontecimento mais perto de nós historicamente, baseia-se na poderosa tecnologia, que ainda hoje nos surpreende e na Matemática razoavelmente elaborada, que possibilita prever o momento exato a que se atinge a Lua, tendo em conta que o nosso satélite natural também está em constante movimento.

A operação Dínamo torna evidente algo que está subjacente aos outros dois eventos: a capacidade de os seres humanos comunicarem entre si, de formas diversas, associarem-se à volta de um objetivo e articularem as suas ações para atingir este mesmo objetivo. Pode passar pela construção de um monumento com 150 metros de altura, em plena Antiguidade ou levar e trazer de volta 3 homens atravessando 750 000 km fora da nossa atmosfera.

Mas a característica mais curiosa, para além da capacidade de antecipação e de articulação entre indivíduos é talvez a capacidade de nós próprios, nos emocionarmos com tudo isso.

Se temos aqui aquilo que poderá ser a capacidade essencial do Homo sapiens – a capacidade de antecipação – resta perguntar o que interessa isso à Rita e ao João, um imaginário jovem casal grávido. Que é como quem diz, o que interessa isso para o nosso dia a dia?

Ora a capacidade de antecipação, é algo a que recorremos nos mais pequenos gestos, seja para levar o chapéu de chuva quando saímos à rua , seja para fazer o dinheiro esticar até ao fim do mês.

E como manter a nossa capacidade de antecipação a 100%?

A resposta a esta pergunta passa por uma visão da saúde que vá para além do evitar doenças, mas que passa antes por descobrir o que fazer para manter o nosso organismo em bom funcionamento.

Na verdade, se o nosso organismo estiver devidamente tonificado (tonificado? é uma palavra estranha, não é?) provavelmente a nossa capacidade de antecipação é maior. Quantas vezes, cansados, exaustos, não prevemos o que nos poderia acontecer ao virar da esquina e um acidente aconteceu?

Portanto a pergunta seguinte será: como tonificar o organismo, seja lá o que isso for?

Ora aqui está outra pergunta verdadeiramente interessante…

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