Outubro

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Era o oitavo mês do calendário gregoriano, dai o seu nome: oito, octo… octobre, outubro.

Olha-se para os casacos de forma diferente, apesar das temperaturas agradavelmente elevadas dos últimos dias. Há quem diga que ao longo do mês as temperaturas máximas vão-se manter acima dos 20º C, com o dia da República a chegar de novo aos 30º. É a meteorologia feliz com o retorno dos feriados. Mas à noite virá um frio suave por volta dos 13º, suficiente para muitos resfriados, com nariz obstruído e tosse para os mais frágeis, sobretudo aqueles que teimam em andar de “corpinho bem feito”, roupa leve e calçado demasiado fresco.

Na verdade, esquecemo-nos que continuamos expostos ao vento, ao frio e à humidade. Basta um maior cansaço, uma maior fragilidade para o nosso corpo reagir negativamente a este fatores.

As castanhas estão já a chegar e são um alimento poderoso nesta época. É um fruto denso, rico em hidratos de carbono e como tal um alimento bastante tonificador, sobretudo para os mais frágeis. Mas atenção, a castanha pode ser de difícil digestão para muitos estômagos e dar origem a trovoadas de meteorismo (vulgo gases…).

O segredo para aproveitar o potencial da castanha é utiliza-las regularmente, mas em pequenas quantidades de cada vez. Na sopa é sempre uma boa ideia.

O frio suave que aí vem é um convite ao cachecol e a uma blusa mais aconchegante. À noite, na sala com a família, surge um cobertor leve, pretexto para mais um abraço apertado. Ou então um passeio à noitinha, à beira rio ou à beira mar. É aproveitar porque estes tempo de transição são sempre deliciosos.

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A docura do regresso

CACHO DE UVAS

Setembro deve o seu nome ao facto de ter sido o sétimo mês do Calendário Romano com dez meses. O problema dos calendário era um bico de obra na antiguidade clássica e houve várias tentativas até se chegar a 1582 com a adopção do Calendário Gregoriano.

Hoje Setembro é o mês do regresso de muita gente do sol das praias de umas férias que são sinónimo de Agosto.

Há no ar uma leve doçura, pelo tempo ameno e pela expectativa de provar as uvas que poderão dar um belo vinho.

Canícula

canículaÉ uma palavra deliciosa: canícula.

Associo de imediato ao som de cigarra a cantar numa quente tarde de Verão. Alentejo, céu intensamente azul até ao desespero.

Canícula terá origem no francês. O que significa? Nesta altura do ano o Sol passará pela constelação do Pequeno Cão, Le petir chien ou canicule. E é nesta altura que ocorrem ondas de calor: o calor do pequeno cão…

Por mais que tente não consigo associar canícula a cão. Vejo espigas de trigo, sinto cheiro a terra seca misturada com folhas de menta esmagadas entre os dedos. E ervas a picar as pernas. E uma sonolência a vir, a desejando a sombra de um chaparro.

 

Os Maios de Maio

Maios WordPressEra obrigatório!

No 1 de Maio a Tia Natália tinha um Maio na varanda. Um boneco de corpo inteiro, com calças e camisa e chapéu. Íamos lá a casa, de propósito para ver o Maio.

Um pouco por toda a cidade lá estavam os Maios. Ainda hoje, as imagens do Google mostram que a tradição não estará totalmente esquecida por terras dos Açores.

Trata-se de comemorar a aproximação do Verão.

O início de Maio fica a meio caminho entre o equinócio da Primavera e o solstício de Verão.

Para muitos povos o solestício de Junho é, não o começo, mas o ponto alto do Verão. Segundo esta lógica, o Verão começaria em Maio. Daí os Maios a saudar a alegada chegada do Tempo do Sol e do Calor.

Por todo o Portugal há velhas tradições de saudar o mês de Maio, reminiscências de tradições celtas. Nesta altura do ano celebra-se em terras celtas o Beltane é um festival da fertilidade, simbolizando a união entre as energias masculina e feminina, a fertilidade da terra e os fogos do deus celta Belenos.

Por todos o país as portas e janelas das casas ou as grelhas dos automóveis eram enfeitadas com ramos de giesta amarela ou com coroas de flores chamadas maia ou maio.

Seguir estas tradições não pode ser visto como revivalismo ou arqueísmo.

É uma forma de nos sintonizar com o ritmo das estações do ano e deixarmos o organismo adaptar-se às mudanças do tempo. Do frio que evolui para o calor, o vento que se exibe em cada esquina

O mês de Maio é também o mês do Coração, altura escolhida para refletir sobre os nosso problemas cardiovasculares.

Sendo o mês do anunciar do calor, é também o mês para sair de casa e dedicarmos mais tempo ao exercício físico, tão carente entre nós

É, portanto, a altura de olhar o quotidiano com optimismo, deixarmos para trás o frio do Inverno e acolhermos o calor que se anuncia.

Um bom Maio para todos.

Chuva de Março

Março, marçagão, de manhã focinho de cão, à tarde sol de VerãoOuvirVento01

É um dito popular, destes que fazem sorrir, mas que surpreendentemente, trazem uma estranha sabedoria, por vezes quase óbvia.
“Focinho de cão” significa tempo inconstante, sombrio, chuvoso. Ao longo destes 90 000 km2, – área aproximada de Portugal – este dito poderá aplicar-se mais a umas regiões e menos a outras.
Mas o sol de verão estará por aí, ora de manhã, ora à tarde, mais a sul do que a norte.
Alguém dizia que “A origem ou a causa da angústia humana, […] é o sentimento que o homem tem da sua alienação em relação à ordem natural do universo.”
De acordo com esta frase de Morris West, um curioso escritor australiano falecido em 1999, será fundamental estarmos atentos (pelo menos e para já) ao pulsar dos ritmos da natureza. Março é chuva, é sol e é sobretudo vento. Vento forte, aragem suave, ora fria ora mais quente.
É tempo de rever desejos e desafios, sair da penumbra do Inverno, e preparar a concretização dos constantes desafios que o quotidiano se nos apresenta. É a esperança que vem com a Primavera.
Neste sentido, o Vento está aí, a soprar, ora mais intensamente ao ponto de nos irritar, ou a agitar as folhas, dizendo-nos que a mudança é coisa constante na vida.
Assim há que ouvir o Vento, em Março, mas também ao longo do ano, ou se quisermos, sempre ao longo da vida.

Fevereiro de chuva…

(in “Borda de Água” de 2016)
malassadas
Fevereiro aí está com o seu tempo chuvoso, a prometer boas colheitas para o Verão.
Vem a propósito lembrar a profunda e constante relação que continuamos a ter com os ciclos da natureza, mesmo a viver num apartamento, no meio mais citadino e urbano que se possa imaginar.
O tempo de luz a que somos exposto, as variações de temperatura, as nuvens no céu, tudo isso nos afecta, mesmo com aquecimento central e lâmpada LED a iluminar o nosso quotidiano.
E Fevereiro fica exatamente a meio caminho entre o começo do Inverno e o surgir da Primavera. Não é por acaso que o Carnaval vem este mês ou que o Ano Chinês tem início na Lua Nova de cada ano. Este ano será lá para 8 de Fevereiro.
Em Portugal temos a sorte de ter o Sol como companhia frequente dando aos nossos campos e cidades aquela luz coada por nuvens ora cinzentas ora mais claras e brancas.
É a luz de Fevereiro, vésperas da festa do Carvanal.
Na minha ilha, S. Miguel nos Açores, as quintas-feira que antecedem a semana do Carnaval são dias de encontro obrigatório: são dias de amigos, amigas, compadres e comadres. Um pretexto para visitar os próximos com uma cestinha (ou Tupperware…) de malassadas e cusquerões.
Viva Fevereiro e viva a amizade!