A ancestralidade ainda aqui

 

2018_04O sono é apenas um exemplo da relação que continuamos a ter com a nossa ancestralidade, que remonta há milhares ou mesmo milhões de anos.

Por mais que tomasse café, as noitadas eram sempre difíceis. A solução parecia ser comer um bom jantar, pois com a barriga cheia, garantia-se um melhor estado de vigília ao longo de toda a noite. A coisa pareceria resultar. Mas havia sempre um momento, às 3 ou às 4 horas da manhã, em que o sono e um inevitável cansaço parecia vir do nada, apesar dos 6 cafés, bebidos, meticulosamente, ao longo do dia. Pelas 6 horas vinha a soneira de novo e só mesmo um pequeno-almoço reforçado, em boa companhia, parecia trazer alguma esperança. Mas o dia seguinte era passado em modo zombie.

Alguns de nós tentamos esta façanha: uma direta. Há quem o consiga de forma heroica. Num plano mais soft, há os heróis e génios que dizem só precisarem de dormir quatro horas por noite. Napoleão seriam um destes tipos que se julgava acima da natureza e orgulhava-se disso.

Curiosamente, Shakespeare, um homem do séc. XVI, tecia elogios ao sono e a uma noite bem dormida, como ponto de partida para alcançar ou manter a boa saúde: “Ó sono, sono gentil, suave enfermeira da Natureza, como te assustei?”. Thomas Dekker, também dramaturgo, mas do séc. XVII dizia “O sono é a corrente dourada que liga a saúde aos nossos corpos”. Poder-se-á pensar que eram homens do teatro, que se deitavam às tantas da madrugada por dever de ofício e lamentavam a sua falta de saúde.

Já Edison, que, digo eu, pretenderia sobretudo vender as suas lâmpadas elétricas, resmungava: “O sono é uma perda de tempo criminosa e uma herança do nosso tempo das cavernas.”

Hoje sabemos a importância do sono e de uma noite bem dormida. Os médicos e investigadores da área, bem se esforçam por bradar aos 4 ventos a importância do sono e a forma como o desperdiçamos. Mas nós continuamos com os olhos fixos nos écrans dos computadores, dos tablets ou mesmo dos smartphones. Sim, porque a televisão, já começa a ser uma coisa do passado.

O séc. XIX trouxe esta ingénua ilusão que poderíamos aceder á categoria de super-homens ou semi-deuses, colocados acima da natureza. Primeiro foi a máquina a vapor, depois a eletricidade, seguindo-se as descobertas da química.

Analisando tudo o que se sabe acerca do sono, das suas várias fases e de todos os processos que ocorrem ao longo daquelas necessárias 8 horas (pelo menos), lembramo-nos que por detrás desta máscara de super-homens, quase deuses, temos inevitavelmente pés de barro, ou pelo menos, um corpinho de carne e osso.

O Homo sapiens continua a ter uma dimensão biológica, apesar do mundo tecnológico que aí está para ficar. Apenas um exemplo desta ancestralidade que vem do paleolítico é a inevitável necessidade de dormir.

Quanto mais se conhece acerca dos processos que decorrem ao longo das várias horas de sono, preconizadas para um adulto, maior é a importância que atribuímos a este estado, em que se mergulha numa espécie de morte ou recolhimento extremo. A eliminação de substância nocivas ao organismo, e que resultam na normal atividade metabólica, a síntese proteica, que irá reconstituir tecidos, ou a reorganização de informações no cérebro, são apenas alguns dos muitos processos já hoje conhecidos, que decorrem durante o sono.

Quantas vezes adormecemos adoentados, com a ameaça de vários sintomas gripais e no outro dia, depois de várias horas de sono reparador, acordamos renovados e cheios de energia?

O sono é apenas um exemplo da relação que continuamos a ter com a nossa ancestralidade, que remonta há milhares ou mesmo milhões de anos.

E isso não é um empecilho, nem uma limitação. Pelo contrário, é uma informação preciosa que garante ter a consciência da necessidade de reabastecer o organismo para enfrentar no dia seguinte. E isto significa enfrentar os mais diversos obstáculos e dificuldades que se nos deparam. Após uma noite bem dormida, tudo se enfrenta, mesmo os mais terríveis desafios. E quando adormecemos preocupados, sem saber como resolver um problema, vale a pena lembrar que a solução poderá surgir no dia seguinte, até porque “a noite é boa conselheira”.

Mas bastará dormir para termos o corpinho tonificado?

A resposta a uma pergunta, leva sempre ao surgimento de outras tantas perguntas interessantes…

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A essência do bicho homem

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Mas a característica mais curiosa, para além da capacidade de antecipação e de articulação entre indivíduos é talvez a capacidade de nós próprios, nos emocionarmos com tudo isso.

– Antigamente era assim, agora é assado! – diz-se com muita frequência – São modas – acrescentamos, conformados com as constantes mudanças que ocorrem à nossa volta.

Antes, no tempo das trisavós, ouvia-se gramofone, depois foram os discos de vinil, a seguir vieram as cassetes, os walk-mens, os cd’s e por fim os MP3. Agora há música a metro no spotify.

Amanhã o que virá? Qual a próxima moda e quando surgirá?

Há quem resista às modas e vá buscar o gramofone ao sótão. Mas há quem esteja freneticamente a folhear as novas revistas à procura do último êxito musical. Novas revistas? Que horror, papel! A surfar no tablet(!), que a moda é agora esta.

Este movimento frenético leva-nos a procurar urgentemente algumas âncoras, mergulhando naquilo que é o essencial. Afinal o que queremos é ouvir música, então que interessa as modas se é apenas música que queremos. O gravador de cassetes já não funciona, os CD’s ainda aí estão, se quisermos descobrir novos sons o spotify é uma oportunidade.

Mas em relação à nossa dimensão humana  ou às questões específicas da saúde, onde está a âncora, onde se encontra o essencial?

Para encontrarmos o mapa do tesouro destas questões é preciso perguntar o que é um ser humano e que características essenciais são essas.

O estratagema passa por perguntar de que nos orgulhamos, quando pensamos na história da Humanidade?

Assim de repente, podemos pensar nas pirâmides do Egipto e na ida à Lua. Grande feitos que parecem superar a pequena dimensão de cada ser humano visto individualmente.

Se olharmos para a Operação Dínamo, em Maio e Junho de 1940, objeto de análise num filme que concorre aos Óscares deste ano de 2017, temos um pequeno exemplo, da forma como uns milhares de cidadãos comuns, em milhares de pequenas embarcações, conseguiram ajudar a evacuar 300 000 soldados encurralados nas praias de Dunkerque, após uma batalha falhada.

Estes três exemplos remetem-nos para três características dos seres humanos, do Homo sapiens, e estarão, provavelmente na base no sucesso da proliferação do bicho-homem ao longo do planeta Terra. São estas características, as seguintes: a tremenda capacidade de antecipação e a poderosa possibilidade dos seres humanos se articularem entre si e realizarem tarefas complexas.

Em primeiro lugar, construir monumentos como as pirâmides, com aquela dimensão e grandiosidade, bem com o rigor do seu posicionamento face aos astros, só é possível porque há um desejo e um sonho, seguido da capacidade de o concretizar ao longo de muito tempo. A ida à Lua, acontecimento mais perto de nós historicamente, baseia-se na poderosa tecnologia, que ainda hoje nos surpreende e na Matemática razoavelmente elaborada, que possibilita prever o momento exato a que se atinge a Lua, tendo em conta que o nosso satélite natural também está em constante movimento.

A operação Dínamo torna evidente algo que está subjacente aos outros dois eventos: a capacidade de os seres humanos comunicarem entre si, de formas diversas, associarem-se à volta de um objetivo e articularem as suas ações para atingir este mesmo objetivo. Pode passar pela construção de um monumento com 150 metros de altura, em plena Antiguidade ou levar e trazer de volta 3 homens atravessando 750 000 km fora da nossa atmosfera.

Mas a característica mais curiosa, para além da capacidade de antecipação e de articulação entre indivíduos é talvez a capacidade de nós próprios, nos emocionarmos com tudo isso.

Se temos aqui aquilo que poderá ser a capacidade essencial do Homo sapiens – a capacidade de antecipação – resta perguntar o que interessa isso à Rita e ao João, um imaginário jovem casal grávido. Que é como quem diz, o que interessa isso para o nosso dia a dia?

Ora a capacidade de antecipação, é algo a que recorremos nos mais pequenos gestos, seja para levar o chapéu de chuva quando saímos à rua , seja para fazer o dinheiro esticar até ao fim do mês.

E como manter a nossa capacidade de antecipação a 100%?

A resposta a esta pergunta passa por uma visão da saúde que vá para além do evitar doenças, mas que passa antes por descobrir o que fazer para manter o nosso organismo em bom funcionamento.

Na verdade, se o nosso organismo estiver devidamente tonificado (tonificado? é uma palavra estranha, não é?) provavelmente a nossa capacidade de antecipação é maior. Quantas vezes, cansados, exaustos, não prevemos o que nos poderia acontecer ao virar da esquina e um acidente aconteceu?

Portanto a pergunta seguinte será: como tonificar o organismo, seja lá o que isso for?

Ora aqui está outra pergunta verdadeiramente interessante…

S. Francisco ou Casanova?

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Provavelmente nem excessos hedónicos, de prazer desenfreado, de comezainas de enfartar brutos, de noitadas até cair de lado, nem, por outro lado, sacrifícios desgastantes que nos fazem pagar uma fatura elevada com o passar dos anos.

Francisco de Assis tinha uma péssima opinião acerca do seu corpo. Este seria um mero invólucro para a alma. E um invólucro muito pernicioso, pois com os seus impulsos e desejos acabava por conduzir a dita alma aos caminhos do pecado e da perdição.

Uma visão completamente diferente teria provavelmente Giacomo Casanova, um aventureiro libertino que tinha fama de seduzir as mulheres e entregar-se profusamente aos prazeres do sexo desenfreado.

Ambos eram italianos, mas viveram em tempos muito diferentes. Giovanni di Pietro, mais conhecido por S. Francisco de Assis, nasceu em 1182, tendo sido canonizado pelo papa Gregório IX em 1228, apenas dois após a sua morte. Casanova, pelo contrário nasceu em 1725. Tendo sido preparado para uma carreira eclesiástica, cedo enveredou por outros caminhos. Foi preso, fugiu da prisão, viajou pela Europa, escreveu diversas obras, entre as quais as suas memórias.

Giovanni di Pietro, ficou às portas da morte, por negligenciar os cuidados mínimos ao seu corpo e foi salvo por amigos que o levaram à enfermaria de um mosteiro, onde recuperou a saúde, vivendo até aos 44 anos. Casanova, pelo contrário, entregava o seu corpo aos prazeres máximos da sedução em movimento perpétuo, teve mil aventura e viveu até aos 73 anos.

Sem defendermos a vida libertina de Giacomo, nem o ascetismo de Giovani di Pietro, perguntamos onde ficamos em termos de opções? Na verdade, atualmente, no nosso âmago, somos marcados por estas duas visões: por um lado achamos que o nosso corpo tudo deve suportar, nomeadamente as agruras dos trabalhos constantes, noites mal dormidas e a imposição de levantar cedo para trabalhar. Ou então, no fim-de-semana, borgas, altas noitadas, bons petiscos e sexo, se possível.

A referência a estes dois nomes, presentes no nosso imaginário, vem a propósito do dilema com o qual qualquer cidadão europeu e ocidental se confronta. Como cuidar do seu corpo e da sua saúde ao longo do quotidiano, nestes tempos repletos de informações confusas e contraditórias? A tradição já não é o que era, nem parece satisfazer quaisquer jovens que queiram pensar durante dois minutos sobre a sua saúde.

Imagine-se um jovem casal. Podemos chama-los Rita e João.

Imagine-se que estão grávidos. Uma nova vida surgiu no ventre. Que opções em matéria de cuidados de saúde devem seguir? O caminho do sacrifício e do trabalho, penalizando o corpo e os cuidados básicos de saúde, à imagem de muitos santos medievais? Ou a entrega aos prazeres do fast-food, dos salgadinhos, das bolachinhas ou dos gelados?

Há curiosamente um exercício mental que nos poderá conduzir a uma clareira de esclarecimento. Basta perguntarmos o seguinte: o Homo sapiens, surgido no planeta Terra há 100 mil anos, que características apresenta para conseguir sobreviver como espécie e proliferar por todo o planeta?

– E isso… o que nos interessa a nós – perguntará a Rita olhando o João e acariciando o ventre já proeminente de seis meses de gravidez.

Minha cara Rita, meu caro João: esta é a pergunta, cuja resposta vale 1 milhão de euros!

Se percebermos que o Homo sapiens tem um conjunto de características, digamos metabólicas, que surgiram há 100 000 anos e das quais não se libertou, já que a genética leva sempre milhares de anos a evoluir, temos uma pista preciosa para darmos ao nosso corpo os cuidados que ele, no fundo, necessita.

Provavelmente nem excessos hedónicos, de prazer desenfreado, de comezainas de enfartar brutos, de noitadas até cair de lado, nem, por outro lado, sacrifícios desgastantes que nos fazem pagar uma fatura elevada com o passar dos anos.

Mas a questão continua: então onde está o mapa do tesouro para encontrar o meio-caminho?

Haja paciência e tudo se descobre…

Que rumo dar à vida?

2018_02Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

A notícias era já esperada: a Rita estava grávida. Ou, se quisermos: estavam grávidos, a Rita e o João. Só esta formulação é um avanço civilizacional, pois propõe que se assuma verbalmente, e depois na prática do dia a dia, a ideia que uma nova vida é da responsabilidade dos dois: do casal.

– A minha avó diz que o queimado faz bem ao sangue, mas o médico acha que faz cancro… – diz a Rita – Já não sei o que devo fazer…

Ninguém advoga ingerir comida queimada, mas num prato que vai ao forno, do crocante ao “queimado” vai um pequeno passo de distração. O que a frase, dita em tom anedótico, pode denotar é o inevitável confronto entre os ditos de uma tradição, vinda dos avós e as ideias atuais defendidas pelos técnicos de saúde.

O triângulo surge agora enriquecido com as “coisas” que vêm na internet, cujo fundamento tem a marca da suspeita, do mistério, do exótico ou do “natural”.

Em meados do século passado, a avó recomendava um cházinho, mas o médico prescrevia um comprimido e, se fosse grave, uma injeção. A modernidade chegava assim, por via das receitas médicas, envoltas em mistério, qual código-davinci, só decifradas pelo olhar perscrutador do farmacêutico.

Entretanto, muitas futuras avós se aliaram aos diligentes médicos que dispõem hoje de uma parafernália farmacêutica que faz verdadeiros milagres. Mas muitas jovens mães não vão na cantiga.

As preocupações ecológicas refletem-se também na forma como se olha a saúde. Procura-se uma alimentação e mesmo abordagens terapêutica menos baseadas nos milagres da indústria farmacêutica e mais atentas a um certo conceito de natural, mais perto de uma verdadeira essência do ser humano, sem recorrer aos produtos da tecnologia do processamento alimentar ou das moléculas concebidas em laboratório.

Curiosamente, estes jovens, mães e pais, têm alguns aliados inesperados. No resguardo dos consultórios e nas esquinas dos hospitais há profissionais de saúde (com médicos incluídos) a olhar desconfiados para os excessos da indústria química.

Quem impera é o famoso Dr. Google com as suas propostas inesperadas. Há de tudo na net e para todos os gostos, mesmo para os gostos duvidosos.

Ao jovem casal fica a dúvida: que caminho seguir? Do ácido fólico obrigatório na gravidez? Ou o dos superalimentos onde impera a Quinoa e a Espirulina? Recorrer à Naturopatia ou à Medicina Chinesa? E que tal a Homeopatia?

No fundo qual o caminho a seguir?

Quando se navega com a linha costa à vista, que é como quem diz, quando se segue uma qualquer tradição ou uma referência alegadamente segura, tudo parece correr bem. Mas quando de adensa o nevoeiro do excesso de informação, torna-se urgente ter um mapa de confiança, uma bússola rigorosa ou um farol intenso a guiar o caminho.

Um dos mapas disponível é partirmos do princípio que, em primeiro lugar somos… seres humanos. Em 1758,  Carl Linnaeus decidiu chamar-nos de Homo sapiens e assim ficamos identificados e distinguidos de outros animais.

A seguir, na Europa e no ocidente, gostamos de dividir o ser humano em dois planos: o físico ou biológico e o psíquico e o mental. Faça-se a vontade sem discutir e comecemos por olhar para o físico, que é como quem diz para o corpo, constituído de braços e pernas, cabeça e tronco, mas também por órgãos, e muita bioquímica à mistura. E depois? A pergunta que se segue será o que pretendemos deste corpo? Quais as suas capacidades e características?

Ortodoxia e Alternativas

OrtodoxiaA ortodoxia está associada àquela que é a opinião dominante ou maioritária. O estudo etimológico da palavra leva-nos até à sua origem grega, ORTHODOXO, que significa exatamente opinião certa, doutrina declarada verdadeira.

Nos mais diversos sectores das sociedades humanas, as visões ortodoxas surgem no seio de instituições que ao longo do tempo vão apurado a sua forma de pensar. Na Europa, e depois por todo o planeta, há uma visão ortodoxa dos mais diversos aspetos da saúde e da medicina.

No final do século passado, séc. XX, surgiram visões sobre a saúde que diferiam profundamente da ortodoxia. Estas visões surgiram sob a forma de movimentos, uns mais, outros menos organizados e que propunham uma visão dita “alternativa”.

As “Alternativas” propunham estilos de vida diferentes, quadros dietéticos sem os excessos de comida processada, rica em sal ou em açúcar, chegando mesmo ao vegetarianismo, ao veganismo ou ao crudísmo, que preconiza a ingestão de alimentos não cozinhados. O domínio das “Alternativas” é vasto e carece neste momento de um estudo sociológico profundo. Ao contrário de muitas vozes não é um fenómeno exótico ou passageiro, nem nenhum retrocesso civilizacional. Se lançarmos um olhar à História da Humanidade, nada acontece por acaso nem por capricho.

No seio das “Alternativas” surgiram inevitavelmente prática terapêuticas que foram designadas de “Medicinas Alternativas”, como algo novo. Na verdade englobavam práticas muitos antigas, vindas já do séc. XIX ou antes. Referimo-nos à Naturopatia, à Homeopatia ou à Osteopatia.

Na verdade os fenómenos que fazem surgir alternativas à medicina ortodoxa, não surgiram pela primeira vez nos anos 70 do séc. XX. James Whorton, um historiador americano, que se tem dedicado à História da Medicina, identifica mais duas vagas de contestação à ortodoxia médica: uma em finais do séc. XVIII, com destaque para a Homeopatia e outra vaga em inícios do séc. XX.

Porque razão há estes surtos de Não-Ortodoxia? Pela simples razão que há momentos que a medicina ortodoxa, não consegue dar resposta às exigências do momento.

Se recuarmos mais atrás na História da Ciência e da Medicina, vamos encontrar, recorrentemente ideia novas, que provocaram reações indignadas da ortodoxia. Um exemplo muito curioso, foi quando William Harvey propôs que o volume do sangue no corpo humano seria limitado. E apresentou cálculos que o provavam. Foi caluniado e a ortodoxia perguntou-lhe se ele era médico ou matemático. A polémica era tanto maior, quanto a nova visão de Harvey, punha em causa a prática do sangramento, muito utilizada na altura.

Muitos dos avanços da medicina foram inicialmente considerados modas exóticas, heresias, com a exclusão e a punição dos seus autores.

A abordagem e o estudo de visões não ortodoxas ao longo da História acabaram por ser integradas na ortodoxia, pois houve instituições que estudaram e analisaram as novas propostas.

As propostas que ganharam visibilidade nos anos 70 do século passado, foram sendo analisadas sobretudo no âmbito de uma organização insuspeita: a Organização Mundial de Saúde. O termo Medicinas Alternativa provavelmente já nem faz sentido, pois nas últimas décadas há uma evolução que calma e serenamente tem vindo a integrar áreas como a Acupunctura ou a Naturopatia. Assim, quem estiver atento, perceberá que esta e muitas outras prática não são alternativas, no sentido disjuntivo da palavra. Uma não exclui obrigatoriamente qualquer outra. Não é por acaso que o vocabulário evolui para Medicinas Complementares, como a designação em inglês aponta: CAM – Complementary and Alternative Medicine.

Em Portugal a legislação escolheu o termo “Terapêuticas Não Complementares”. O porquê desta escolha, poderia ser alvo de um estudo sociológico, e quiçá, psicanalítico.

Uma TV Saudável

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São cada vez mais frequentes os sites que nos oferecem vídeo através da web, como se tratasse de um canal de tv: video by stream.

O site mais conhecido será o NETFLIX, agora já disponível em Portugal. Mas até o site de compras Amazon oferece um site de vídeos em stream.

Para além de longas metragens ou séries de televisão, estes sites oferecem uma grande diversidade de documentários sobre os mais diversos temas.

Face à postura acrítica de uma boa parte da comunicação social, a solução para nos mantermos bem informados, passará por documentários independentes realizados um pouco por todo o mundo.

Um site especializado em informação sobre boa saúde em forma de “vídeo em stream” é o www.fmtv.com. O acesso é pago cerca de 10 dólars por mês ou $100 por ano.

Há também receitas, conselhos e muito mais informações

Para quem se interessa pelo assunto… vale a pena.

 

Comida! Interessa?

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Atiramo-nos à comida que nos aparece pela frente sem pensarmos no que vai pela boca abaixo.

E hoje, mesmo com pouco dinheiro, temos acesso a uma boa diversidade de alimentos.

No entanto, raramente pensamos naquilo que estamos realmente a comer.

E ainda mais raramente perguntamos o que é que o nosso corpo necessita em termos nutricionais.

Resultado: a comida que ingerimos é a maior fonte de problemas de saúde que mais tarde ou mais cedo recaiem sobre nós.

Diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e oncológicos e depressões. São as doenças que acabam por ser “crónicas” e que arrasam com os orçamento dos sistemas de saúde de todos os países.

O documentário “Food Matters” foi realizado em 2008 por James Colquhoun e por Carlo Ledesma  e analisa através de várias entrevistas a importância de revermos a nossa alimentação. Segue, no fundo, a velha frase de Hipócrates “Que a medicina seja o teu alimento, e que o alimento seja a tua medicina.”

Pode ver o filme no Netflix ou no site www.fmtv.com